Ouvimos muitas vezes que fazer palavras cruzadas «faz bem à cabeça». Mas será verdade? A ciência ainda não tem todas as respostas, mas há alguns estudos interessantes que vale a pena conhecer.
Quem faz mais passatempos de palavras tem melhores resultados
Em 2019, investigadores da Universidade de Exeter e do King's College London analisaram dados de mais de 19 mil pessoas com mais de 50 anos, no Reino Unido. Concluíram que quem fazia passatempos de palavras, como as palavras cruzadas, com mais frequência tinha melhores resultados em testes de memória, atenção e raciocínio.
É um resultado encorajador, mas tem um limite importante: mostra uma associação, não prova que sejam as palavras cruzadas a causar a diferença. Pode simplesmente acontecer que as pessoas com a mente mais ágil gostem mais deste tipo de jogos.
Um ensaio com palavras cruzadas e jogos de computador
Em 2022, uma equipa das universidades de Columbia e Duke, nos Estados Unidos, fez um ensaio com pouco mais de cem adultos com défice cognitivo ligeiro. Durante cerca de ano e meio, uma parte jogou palavras cruzadas online e a outra jogos de treino cognitivo no computador. O grupo das palavras cruzadas teve melhores resultados nos testes cognitivos no final do estudo.
Os próprios autores sublinharam que o estudo é pequeno e que são precisos ensaios maiores para confirmar os resultados.
Então, vale a pena?
Com o que se sabe hoje, a resposta honesta é esta: as palavras cruzadas não são um tratamento nem garantem proteção contra a perda de memória, mas são uma forma agradável de manter a mente ocupada, aprender palavras novas e ter um momento de concentração longe das notificações. Se tiver dúvidas sobre a sua memória ou a de alguém próximo, o melhor é falar com o médico.
Os especialistas costumam lembrar que a saúde do cérebro depende de várias coisas ao mesmo tempo: exercício físico, sono, alimentação, convívio e atividades que nos desafiem. Os passatempos entram nesta última parte, e quanto mais variados, melhor.
Variar o desafio
Se já resolve as grelhas fáceis de olhos fechados, passe para as palavras cruzadas difíceis, como Literatura portuguesa ou Ciência e corpo humano. E alterne com outros desafios: um puzzle de mil peças ou um livro de enigmas de lógica como o Murdoku trabalham capacidades diferentes.